Recolha selectiva ganha terreno à triagem em alta (notícia in Portal Ambiente Online)26-04-2010
A poucos dias do 4º Fórum de Resíduos, o AmbienteOnline antecipa um dos temas que estará em destaque na iniciativa, que se realiza nos dias 28 e 29 de Abril, no Hotel Tivoli Oriente (Tejo), Lisboa. O debate entre recolha selectiva e triagem em alta volta a estar na linha da frente no evento do jornal Água&Ambiente.
A recolha selectiva parece ser a opção mais consensual: Joachin Quoden, secretário-geral da Pro Europe, organização que encabeça os sistemas de gestão de embalagens e de resíduos de embalagem que usam o símbolo “Ponto Verde”, defende que, apesar dos avanços da tecnologia nos últimos dez anos, a separação dos resíduos feita pelos cidadãos é o ideal e contribui para uma recolha de maior qualidade. Além disso, do ponto de vista educacional, «é muito importante que as pessoas vejam que diferentes tipos de resíduos geram e quais os que podem ser reciclados», explica.
Rui Berkemeier, responsável pela área de resíduos da Quercus, também defende que esta é a melhor opção, embora considere que o sistema possa ser modificado de forma a tornar-se menos oneroso. «A recolha selectiva funciona num sistema montado a posteriori da recolha indiferenciada. Por ser um sistema complementar, acaba por ter custos adicionais, por isso, seria muito mais vantajoso integrar as duas recolhas, indiferenciada e selectiva», advoga. Rui Berkmeier alerta que o sistema de tratamento mecânico biológico (TBM) «é muito interessante» para complementar a recolha selectiva, mas nunca poderá ser usado como alternativa.
«Nefasto» juntar todos os materiais
A separação na origem é também a aposta da Lipor. Segundo a administração da empresa, as especificações de qualidade que a indústria da reciclagem exige «serão sempre prejudicadas pela heterogeneidade dos resíduos de embalagem e pela falta de civismo dos cidadãos», mas, de qualquer forma, numa lógica de prevenção, «juntar todos os materiais e os centros de triagem que os separem é nefasto».
As opções estratégicas para o sector vão estar em debate no Fórum de Resíduos, através da Sociedade Ponto Verde (SPV), da Algar e da Interfileiras. As obrigações municipais e as novas perspectivas de mercado, como os óleos alimentares usados, por exemplo, serão objecto de análise no primeiro dia do fórum (28 de Abril), sendo que o director-geral da Associação Portuguesa de Empresas de Distribuição, José António Rosseau, irá falar sobre o papel do sector na gestão de fluxos e Ricardo Pedrosa, presidente da direcção da Associação de Empresas de Construção e Obras Públicas, fará um balanço da implementação de políticas de gestão de resíduos de construção e demolição.
A recomendação tarifária da ERSAR e a requalificação ambiental dos sistemas são os temas que encerram o primeiro dia de conferências, com oportunidade para ouvir o que tem a dizer a Associação de Empresas Gestoras de Sistemas de Resíduos sobre o assunto.
As novidades em relação ao sector dos resíduos estão guardadas para o dia 29, com destaque para a nova directiva e o fim do estatuto do resíduo. A estratégia dos solos contaminados e a responsabilidade ambiental são outros dos temas em destaque, assim como as perspectivas futuras em relação aos resíduos hospitalares.
A iniciativa conta com o alto patrocínio do Ministério do Ambiente e do Ordenamento do Território.