Educação ambiental nas escolas é limitada (notícia in ABC do Ambiente)23-03-2010
Num inquérito realizado em 15 mil escolas e 2300 organizações não-escolares, concluiu-se que, nas escolas portuguesas, a educação ambiental e para o desenvolvimento sustentável é limitada e demasiado infantil.
Os resultados do estudo estão agora disponíveis no livro “Educação Ambiental – Balanço e Perspectivas para uma Agenda Mais Sustentável”. A obra foi apresentada esta segunda-feira, numa conferência sobre o tema, no Instituto de Ciências Sociais de Lisboa.
O inquérito, realizado entre 2005 e 2007, revela que as actividades ambientais no seio escolar “estão a negligenciar o que se passa no mundo real”. Os resultados apontam para o papel decisivo das câmaras municipais, como entidades promotoras da educação ambiental nas escolas, sendo que 58 por cento dos projectos realizados são de autarquias e empresas municipais.
Segundo o estudo, consequentemente, surge uma limitação dos temas às questões dos resíduos, da flora e da fauna, estando muitos deles relacionados com as empresas patrocinadoras.
“Esta prevalência de temas, patrocinadores e parceiros, acaba por tornar a educação ambiental e a educação para o desenvolvimento sustentável demasiado instrumental”, sublinham os sociólogos Luísa Schmidt, Joaquim Nave e João Guerra, autores do livro.
A carácter infantil da educação ambiental é outra das limitações. Quase metade dos projectos escolares destina-se a alunos do 1.º ciclo de ensino, tratando-se, maioritariamente, de actividades recreativas e lúdicas. Apenas 12 por cento dos trabalhos sobre o ambiente envolvem o ensino secundário.
É nesse sentido que os autores do estudo alertam para a necessidade de envolver cada vez mais os adolescentes, numa tentativa de levar os alunos a avaliar a realidade ambiental e o desenvolvimento sustentável na sua área.
Também a curta duração dos projectos é outro aspecto apontado pelos sociólogos, e que leva à “notória insustentabilidade das actividades de educação ambiental e educação para o desenvolvimento sustentável”.