Lixo à porta de casa (notícia in SOL)19-02-2010
A RECOLHA selectiva porta-a-porta é a nova aposta ambiental para cumprir as metas comunitárias de reciclagem. O que levou muitos municípios a recolherem papel, embalagens, e lixo indiferenciado, em dias alternados, nas próprias habitações.
«É um sistema justo, que não penaliza quem faz a separação dos resíduos em casa. Ao contrário dos ecopontos, que exigem deslocações com os resíduos nas mãos, para, muitas vezes, o cidadão os encontrar cheios», afirma ao SOL Pedro Carteiro, da Quercus.
Esta estratégia aumenta a quantidade de recolha de resíduos recicláveis e causa menos problemas urbanísticos: «São frequentes as queixas em relação à ocupação dos passeios por ecopontos». Além de que permite «a anulação de alguns circuitos de recolha de resíduos indiferenciados».
Nos casos das embalagens de plástico e de metal, o aumento da recolha pode chegar aos 500%. Pedro Carteiro saliente ainda que o custo desta recolha representa menos 41% do que a convencional: a recolha de papel num ecoponto pode custar 130 euros/tonelada, enquanto numa casa apenas 77 euros.
Por esta razão, o ambientalista «os maiores investimentos são ao nível da reorganização do sistema e da sensibilização junto das populações para explicar o que vai mudar e porquê».
Capital sem ecopontos
Em Lisboa, Quinta do Lambert, Alameda das Linhas de Torres e Estádio de Alvalade são as zonas mais recentes a beneficiarem da recolha selectiva em casa - que envolve 9400 habitantes.
O projecto está a ser «monitorizado e fiscalizado diariamente», disse ao SOL fonte oficial da autarquia, e vai contribuir para que haja cada vez menos ecopontos, «mantendo-se apenas os vidrões na via pública».
Além deste sistema, as autarquias estão a desenvolver novas formas de tratamento do lixo. A Norte, por exemplo, Gaia aposta na promoção da compostagem doméstica, enquanto Santa Maria da Feira prevê a aplicação do mesmo sistema para o lixo orgânico ainda no primeiro semestre de 2010. O projecto piloto vai abranger 250 famílias.
Na Maia, a questão da limpeza e redução dos custos da separação nos ecopontos levou a criar um «projecto de 'chipagem' dos contentores», que vai permitir «saber quando estão cheios e melhorar os tempos de recolha», revelou fonte oficial da Câmara Municipal daquela cidade.
Joana Andrade, Ana Isabel Pereira