Aterro de Sermonde esgotado no fim de 2012 (notícia in JN)11-02-2010
O gesto rotineiro de colocar o saco do lixo no contentor é cumprido despreocupadamente. Para a maioria da popupação, o problema termina ali. Mas só muda de mãos. Cabe à Suldouro dar solução a 500 toneladas de resíduos diárias num aterro quase esgotado.
O complexo de Sermonde - operacional desde 1999 e que obteve a certificação do sistema de qualidade, ambiente e segurança no final do ano passado - acolhe, em média, 180 camiões diários carregados de resíduos indiferenciados e para reciclagem dos concelhos da Feira e de Gaia. Segunda-feira é o dia de maior corrupio, após o descanso de domingo.
Os pesados repletos de sacos do lixo sobem a estrada em terra até ao topo do aterro, onde despejam a carga directamente para o fosso. A Suldouro não tem, hoje, condições para fazer a separação dos materiais recicláveis que os moradores misturam com os lixos orgânicos. A separação, avisa Sandra Fernandes, administradora delegada da Suldouro, tem que ser feita em casa. Resultado: em 10 anos, o aterro de Sermonde ficou praticamente esgotado. Só não fecha já no próximo mês, porque foi possível criar uma nova célula de deposição de resíduos num terreno contíguo. Ganhou-se, assim, dois anos para decidir a localização e construir o novo aterro sanitário até ao final de 2012. O prazo é apertado e, embora ninguém queira ter este equipamento na freguesia, Sandra Fernandes crê que somente as restrições técnicas devem ser atendidas.
Procura em todo o território
"Dentro do nosso complexo, já não temos espaço para expandir mais. O problema dos resíduos para a maioria da população termina quando coloca os sacos nos contentores. Este é um problema de todos", esclarece a administradora-delegada. Como tal, a Universidade de Aveiro está a analisar o território de Gaia e da Feira e, no final deste mês, entregará um estudo com duas ou três localizações possíveis. Terá de ser um terreno com 25 a 30 hectares e com uma cortina arbórea (funciona como barreira visual e de odores), ficando o mais afastado possível de núcleos populacionais.
O discurso político em Gaia tem apontado para a alternância, uma vez que o aterro actual fica no concelho gaiense. Um factor que não é fundamental na equação para a Suldouro. "A Feira também teve uma lixeira durante 25 anos. O objectivo é encontrar uma localização que minimize os impactos negativos de um aterro. Se a melhor localização estiver em Gaia, porque haveremos de colocá-lo na Feira?", continua.
A partir do final de 2012, a empresa gerirá dois pólos. No complexo onde hoje trabalham 80 pessoas e uma águia que afugenta, das 9 às 17 horas, milhares de gaivotas, investiu-se 40 milhões de euros em 10 anos. Esse trabalho de modernização não cessou. A decomposição de lixos no aterro gera biogás que, actualmente, é queimado, produzindo energia eléctrica que abastece cinco mil habitações num ano. Essa energia é vendida à REN e integrada na rede de abastecimento público. A Suldouro dispõe de três motores a produzir essa energia e, até Julho, vão instalar o quarto. "Aumentará num terço a capacidade de energia já produzida", realça Sandra Fernandes, assinalando o investimento de 19,5 milhões na construção (em curso) da Central de Valorização Orgânica.
Uma das preocupações da Suldouro, em resposta às normas legais, é a redução do número de resíduos biodegradáveis colocados no aterro. A central, que entrará em funcionamento no início do próximo ano, cumprirá essa tarefa. Cerca de 43 mil toneladas de lixo indiferenciado, que hoje segue para o aterro sem triagem, entrará na central. "Vamos separar os orgânicos dos restantes resíduos. Na central, iremos acelerar o processo de decomposição dos orgânicos para produzir energia. Dos não orgânicos, parte irá para reciclagem e o restante será vendido para indústrias (como as cimenteiras) que usam a queima do lixo como combustível", adianta a administradora-delegada.
Em 2009, a população de Gaia e da Feira produziu 180 mil toneladas de lixo indiferenciado e separou 18,2 mil toneladas de material reciclável. Um número que tem crescido de ano para ano, enquanto a quantidade de resíduos indiferenciados estagnou.
CARLA SOFIA LUZ,ARTUR MACHADO